A Mostra Geração é o segmento infanto-juvenil do Festival do Rio, o maior evento audiovisual da América Latina.

Esse ano estamos celebrando 15 anos.

São vários Programas:

O Internacional, inclui longas vindos de várias partes do planeta/do mundo com temáticas focadas nas crianças e nos jovens.

O Vídeo Fórum apresenta e debate os trabalhos produzidos por eles mesmos. É o momento de ver na tela grande a sua própria produção.

Além disso, a Mostra Geração oferece encontros especiais para educadores e diversas atividades.

Fique de olho: o Festival do Rio 2014 acontecerá entre 24 de setembro e 08 de outubro.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Crianças e jovens movimentam a Mostra Geração

Dentro da enorme variedade de filmes e eventos oferecidos pelo Festival do Rio, a Mostra Geração é 100% dedicada às crianças e adolescentes. A curadoria está bastante atenta a isso e sabe como esse público é exigente. E se preocupa principalmente, em apresentar trabalhos que irão enriquecer culturalmente esses espectadores e quem sabe, fazer brotar em cada um deles o interesse pela sétima arte.




Hoje foi uma manhã mais uma vez bem movimentada. Na sala 1 do Espaço de Cinema em Botafogo, teve a exibição do longa-metragem alemão CADÊ MEU IRMÃO? e do curta brasileiro KATA, dirigido por Marcio Schoenardie. O público, sua maioria entre 5 e 9 anos, foi formado por crianças do Instituto Tear, Escola Parque, Escola Oga Mitá e Fundação Xuxa Meneguel. A dublagem feita ao vivo permitiu que os pequeninos pudessem se divertir mais ainda com a história da menina Marietta e do seu irmão Tobias.




No final da sessão, a alegria estava estampada no rosto de cada um que saia da sala de exibição. Os pequenos espectadores foram unânimes, adoraram o filme, principalmente o final. Para aqueles que ficaram curiosos em saber o motivo da satisfação geral da meninada, o filme CADÊ MEU IRMÃO? terá uma segunda exibição no dia 7 de outubro, às 14h45, na sala 1 do Espaço de Cinema.




Enquanto as crianças curtiam o filme alemão, jovens do Rio de Janeiro, Petrópolis, Nova Friburgo e Recife, exibiam e discutiam seus próprios filmes na sala 2 do Espaço. Na última sessão do Programa Vídeo Fórum, o debate mediado por Cavi Borges, Felícia Krumholz e Bete Bullara, tocou em temas como o processo de realização, as dificuldades de produção e também em questões de direito autoral. Os próprios realizadores trocaram idéias e deram dicas que facilitam a produção de um filme, principalmente no que diz respeito a direito de som e imagem.





- O Vídeo Fórum é um lugar justamente para isso que estamos fazendo hoje. Um lugar para pensarmos, refletirmos sobre cinema - comentou Felícia Krumholz.





Para Txai Ferraz, que veio de Recife apresentar o filme que trabalhou, "Cores Humanas", a experiência de participar do Vídeo Fórum é algo que levará para toda a vida. O jovem de 18 anos disse ter adorado participar, de poder exibir e dicutir não só sobre o seu filme, como os dos outros realizadores.

- Vou embora hoje levando para Recife um pouco dessa sementinha plantada aqui pela
Mostra Geração. Essa é uma experiência que com certeza que levar e quem sabe, implantar na minha cidade - declarou o estudante.




O Programa Vídeo Fórum encerrou hoje as exibições. Amanhã, às 10h, no Oi Futuro de Ipanema, haverá o Fórum de Debates, onde os jovens realizadores e os professores orientadores dos projetos irão se encontrar para assistir um filme surpresa e mais uma vez discutir cinema. E também, comemorar os 10 anos da
Mostra Geração.

Após participarem da sessão do Vídeo Fórum, os alunos do Colégio Estadual Dom Pedro II, de Petrópolis, visitaram o Pavilhão do Festival do Rio. Lá eles tiveram a oportunidade de conhecer um set de filmagem, visitar estandes de empresas que apoiam o Festival do Rio, além de se divertir com os games disponíveis.
Os estudantes Camila Cardoso, de 17 anos, Marcelo Miguez, de 16 anos, e Evelyn de Souza, de 18 anos, ficaram encantados com o Pavilhão e com tudo que estava disponível por lá. Para Camila, participar de tudo, do Vídeo Fórum e ir ao Pavilhão, foi muito interessante e compensador. Segundo ela, experiência nunca é demais. Evelyn manda um conselho para todos que querem seguir na área do audiovisual. De acordo com ela quando começar não pare, pois o resultado final é sempre gratificante.
- O Festival do Rio, a Mostra Geração, me inspiram cada vez mais a fazer cinema - comentou Marcelo.

Fotos: Conrado Krivochein

VALO é o destaque de hoje na Mostra Geração

A Mostra Geração apresenta na sessão de retrospectiva em comemoração aos seus 10 anos, o filme VALO, uma co-produção entre Suécia, Noruega e Finlândia. O longa-metragem foi escolhido pelo público como o melhor filme da Mostra Geração de 2007. A sessão será hoje, às 14h30, no Espaço de Cinema, sala 1, em Botafogo. E será reprisado no mesmo cinema no dia 07 de outubro, às 9h. O curta-metragem brasileiro GOL A GOL, de Bruno Carvalho, irá abrir as sessões. VALO terá dublagem ao vivo.

Ciências Humanas
Por Bia A. Porto

Resenha crítica do longa VALO
(Valo)
Finlândia/Suécia/Noruega, 2005, 84min.
Direção: Kaija Juurikkalaz

VALO é o vencedor da Mostra Geração 2007 e premiado em mais cinco festivais internacionais. Sua força consiste nos argumentos em prol da educação, dos direitos da criança (o filme tem o apoio da UNICEF) e da justiça. Baseado na vida do artista e filósofo Aleksanteri Ahola-Valo (1900-1997), o filme narra a luta de um menino de 8 anos para continuar na escola, no início do século XX.

Desde 1809, a Finlândia era um território autônomo do Império Russo e, na época em que a história do filme transcorre, movimentos nacionalistas promoviam rebeliões que eram violentamente retaliadas pelo Czar. O pai de Valo era um rebelde e por isso os dois são exilados em uma pequena aldeia. Na nova escola, o garoto não se conforma com os maus tratos sofridos pelas crianças e o autoritarismo de seu regente, um sacerdote ortodoxo que deixa qualquer um morrendo de medo.

Para a sorte de Valo, uma professora mais compreensiva e amorosa chega à escola e incentiva as crianças a se empenhar nos estudos como forma de se tornarem protagonistas de suas próprias vidas. Obviamente, esse projeto pedagógico libertário não agrada em nada aos comandos do Império e é reprimido. Valo, então, abre uma escolinha alternativa com a ajuda dos amigos e, juntas, as crianças enfrentam a ignorância dos adultos que não entendiam a importância daquela iniciativa.

É interessante ver no filme um pouco da história das instituições de ensino e da história da infância. A escola surgiu com o intuito de disciplinar os indivíduos que não sabem viver em sociedade e sua criação está intimamente relacionada à idéia de infância. Por incrível que pareça, esta nem sempre foi vista como um momento especial do desenvolvimento humano. Na verdade, o conceito de criança varia de acordo com o contexto histórico-cultural, já sofreu diversas transformações e, provavelmente, ainda irá passar por outras mais.

A escola oficial da aldeia de Valo funcionava com regras muito rígidas às quais os alunos deveriam obedecer sem contestar. Era muito raro uma professora como Maria, que ouvia o que a turma tinha a dizer. Pensamentos independentes não eram tolerados e, para piorar, fora da escola os meninos e meninas tinham as mesmas obrigações que os adultos e, se tivessem problemas com a lei, eram julgados em condições injustas, sem terem voz.

Com figurinos coloridos e cenários que retratam com detalhes as fábricas, as estações de trem, o comércio e demais construções da época, o longa coloca a criança contemporânea em contato com uma infância anterior que destaca os direitos conquistados para as crianças de hoje, principalmente o de estudar. É também um bonito relato sobre o estimulante encontro com o conhecimento e sobre a produção do mesmo.


quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A diferença foi tema predominante nos filmes de hoje da Mostra Geração



Hoje foi um dia bastante especial na programação da Mostra Geração. No Programa Internacional foi exibido o longa-metragem indiano SOMOS TODOS DIFERENTES e no Vídeo Fórum foram apresentados diversos curtas-metragens, incluindo produções brasileiras, argentina, canadense e norte-americana. A "diferença" foi o tema recorrente nos filmes de ambos os programas.





Na entrada da sessão de SOMOS TODOS DIFERENTES, uma professora que levou um grupo de crianças com necessidades especiais, comentou estar receosa pelo fato do filme ser legendado, o que poderia dificultar a compreensão do filme pelos seus alunos. Mas eis que a magia do cinema se fez presente mais uma vez, e no final da exibição, bastante emocionada, ela agradeceu e disse que todos as crianças que ela levou, entenderam e adoraram o filme.




Enquanto na Sala 1 do Espaço de Cinema a dislexia foi o assunto tratado no Programa Internacional, na sessão do Vídeo Fórum, crianças e jovens também mostraram através do cinema, o seu olhar sobre o preconceito. Um dos destaques foi o documentário O PRECONCEITO CONTRA OS ALUNOS DA REDE PÚBLICA, produzido pelos alunos da Escola Municipal Epitácio Pessoa. Através de um vídeo simples, jovens estudantes mostraram situações que acabam vivendo ou sendo vítimas, só por serem alunos de uma escola municipal ou estadual. Mas também apresentaram os seus próprios preconceitos.





Outro destaque foi EMO DAY, produção da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio - FIOCRUZ, que narrou uma história de discriminação contra os estudantes emos. E do Canadá veio o curta I AM MYSELF, realizado por meninas de 12 e 13 anos, que trata de homofobia.



O Vídeo Fórum também teve espaço na sessão de hoje para o experimentalismo. O ESPELHO, realizado pelos alunos do projeto Cinema na Escola, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, foi a produção que talvez tenha mais ousado na parte técnica e narrativa. O que mostra que o grupo não queria apenas contar uma historinha, mas experimentar todos os recursos possíveis para a realização de um curta-metragem e também a própria linguagem cinematográfica.

Amanhã tem mais
Mostra Geração. Às 8h, haverá na sala 2 do Espaço de Cinema, em Botafogo, a última sessão do Programa Vídeo Fórum, com a exibição de mais 10 produções realizadas por crianças e jovens. E no Programa Internacional, tem CADÊ MEU IRMÃO? e o curta nacional KATA, às 9h na sala 1, e às 14h30 tem VALO e o curta GOL A GOL, também na sala 1.

Fotos: Conrado Krivochein