A Mostra Geração é o segmento infanto-juvenil do Festival do Rio, o maior evento audiovisual da América Latina.
Esse ano estamos celebrando 15 anos.
São vários Programas:
O Internacional, inclui longas vindos de várias partes do planeta/do mundo com temáticas focadas nas crianças e nos jovens.
O Vídeo Fórum apresenta e debate os trabalhos produzidos por eles mesmos.
É o momento de ver na tela grande a sua própria produção.
Além disso, a Mostra Geração oferece encontros especiais para educadores e diversas atividades.
Fique de olho: o Festival do Rio 2014 acontecerá entre 24 de setembro e 08 de outubro.
domingo, 5 de outubro de 2014
Confira "Na Natureza Selvagem", resenha crítica do filme "Belle e Sébastien" por Bia Porto
sábado, 20 de setembro de 2014
A Guerra dos Mundos - Resenha de "Dixie e a Revolução dos Zumbis" por Bia Porto
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
RESENHA CRÍTICA DE TOM, O GAROTO MALANDRO (TOM LE CANCRE)
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
CONFIRA A RESENHA DE A ESTRELA DE COPÉRNICO
Resenha Crítica do longa A ESTRELA DE COPÉRNICO (Gwiazda Kopernika)
Polônia, 2009, 105min.
Direção: Zdzislaw Kudla e Andrzej Orzechowski
Por Roberto Neto e Rosália Duarte
A ESTRELA DE COPÉRNICO é uma animação bem singela, porém, com roteiro muito interessante e, de certa forma, educativo nos padrões didáticos. O longa-metragem trata de maneira fantasiosa a vida de Nicolau Copérnico.
O pai de Nicolau o ensinou, quando ainda era uma criança, que todos possuem uma estrela, e a mesma nasce, cresce e padece conosco, acompanhando-nos por toda vida. Quando ficou um pouco mais velho, Nicolau esperava seu pai voltar de suas viagens mercantis para ver as estrelas em sua companhia, sendo sempre um aficionado pelo céu.
Durante o desenrolar da trama, podemos perceber que Copérnico sempre teve uma relação de proximidade com as estrelas, algo como um Nicolau que sempre será criança e conversará com elas, e, inclusive, com as constelações que regem os signos. O crescimento do personagem independe do crescimento de seu “alter-ego” estelar, porém, o amadurecimento é fruto das experiências estelares dele.
À medida que Nicolau vai envelhecendo, ele começa a se graduar e a desenvolver sua teoria heliocêntrica, que é tratada com cautela, pois, como vivia na idade média, havia o risco de heresia, e ele sempre se mostrara um católico fervoroso.
Ao final do filme, os diretores Zdzislaw Kudla e Andrzej Orzechowski inseriram considerações que enfatizam a ideia de filme biográfico, apesar de toda fantasia ao redor dos personagens.
É filme muito interessante, pois apesar de não possuir técnica sofisticada, o roteiro trata a vida de um grande nome da ciência de uma maneira divertida e irreverente, tornando-o adequado a crianças que possuem curiosidade apurada.
Roberto Neto é estudante de engenharia na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e cinéfilo.
Rosalia Duarte possui graduação em Psicologia pela UERJ, mestrado em Educação pela FGV e doutorado em Educação pela PUC-Rio. Atualmente é professora do Departamento de Educação da PUC-Rio, onde coordena o Grupo de Pesquisa em Educação e Mídia (GRUPEM).
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
CONFIRA A RESENHA DE O CLUBE DO TIGRE
Resenha Crítica do longa O CLUBE DO TIGRE (Tiger Team)
Alemanha, 2010, 89min.
Direção: Peter Gersina
Por Rosalia Duarte
Biggi, Patrick e Luk formam o Clube do Tigre, uma equipe de detetives-mirins, espertos e curiosos, cuja “agência” de investigação funciona no sotão do restaurante de Mae, uma simpática senhora chinesa. Uma tarde, entre um rolinho primavera e outro, o trio quebra, acidentalmente, uma estátua de cerâmica que havia sido enviada a Mae por um tio idoso que vive na China. Começa aí uma aventura...
Conta a lenda que, no século XIV, na China, havia um palácio embaixo da Montanha dos 1000 dragões — o Palácio do Luar. Nele vivia um imperador menino que sofria de uma doença incurável: sua pele não suportava os raios do sol. A mãe, que o amava muito, mandou buscar três dos mais sábios alquimistas do mundo e deu a eles a tarefa de criar um elixir que concedesse vida eterna ao menino. Em seguida, mandou fechar para sempre a entrada do palácio, com três chaves mágicas.
A busca de informações sobre a estátua quebrada levará os três pequenos detetives à China e aos mistérios que envolvem a lenda do menino imperador e do Palácio do Luar. Suas habilidades e inteligência serão colocadas à prova, em situações perigosas e desafiadoras, pois adultos desonestos estão interessados em encontrar a entrada do palácio, com intenções nem um pouco louváveis.
O filme tem ritmo e trilha sonora de aventura, uma bela fotografia e uma excelente direção de atores. Os três atores mirins (Helena Siegmund-Schultze, Bruno Leon Schubert e Justus Kammerer) são convincentes na caracterização de suas personagens, mesmo nas circunstâncias mais improváveis como, por exemplo, quando Biggi e uma menina pouco mais velha do que ela dão uma verdadeira surra em oito garotos, grandes e fortes, que tentam roubar delas uma das três chaves do Palácio do Luar. Ou quando Luk, usando vestido de noiva e sapatos brancos de salto alto, corre desengonçado pela muralha da China, levantando com as mãos as saias engomadas.
A trama prende a atenção do espectador, diverte e, de quebra, traz uma mensagem preservacionista, alertando para a necessidade de proteção dos ursos Panda. Parece ser endereçado a crianças pequenas, mas adultos e adolescentes certamente se sentirão, também, atraídos pelas peripécias, na China, dos três tigrinhos vienenses.
Rosalia Duarte é professora do Departamento de Educação da PUC-Rio, onde coordena o Grupo de Pesquisa em Educação e Mídia (GRUPEM).
CONFIRA A RESENHA DE BORA BORA
Resenha Crítica do longa BORA BORA (Bora Bora)
Por Rita Migliora
Em BORA BORA, Hans Fabian Wullenweber, diretor premiado no Festival de Berlim, traz o universo dos musicais para contar a história de uma jovem – Mia (15), que se sente desajustada no mundo, com uma relação conflituosa com a mãe, sem amigos na escola e, ainda, sofrendo bullying. A única coisa que faz com prazer é correr.
O filme conta com um bom roteiro, músicas que ecoam bem no universo jovem sem serem óbvias, inseridas de forma azeitada na história.
Mia vive em um confortável apartamento com sua mãe, mas estão em rota de atrito permanente. Mia resolve sair de casa e vai parar nas ruas de Copenhagen onde conhece Zack, que faz parte de um grupo de jovens que pretende viver longe dos pais como batedores de carteiras. Ela resolve se juntar a eles, passando por um processo de iniciação para fazer parte deste grupo. É aceita por eles, por ser uma excelente corredora. Depois de um período inicial de felicidade por se sentir livre, Mia começa a questionar as decisões que tomou.
O grupo parece bastante sedutor, mas também tem seus problemas e segredos. Essa me parece ser a mensagem do filme, que todo processo de crescimento é doloroso e implica em perdas que talvez ainda não estejamos preparados para elaborar. Mas não adianta correr de nós mesmos.
O filme trata destas questões, sobre a transição para o mundo adulto, sem usar a estética padrão de Hollywood, nem faz julgamentos maniqueístas. Além do mais as músicas, em sua grande maioria, são cantadas em dinamarquês, o que para mim é um grande atrativo. Olhar um pouco para outras e mesmas formas de ser jovem.
Rita Migliora é doutoranda em Ciências Sociais e integra o Grupo de Pesquisa em Educação e Mídia (GRUPEM), coordenado pela professora Rosalia Duarte e vinculado ao Departamento de Educação da PUC-Rio.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Uma turma unida ou uma gangue?
Alemanha, 2009, 98 min.
Direção: Christian Ditter
Por Bia A. Porto e Raphael Dias Nunes
O vencedor da Mostra Geração 2010, eleito pelo júri popular infanto-juvenil, já era um campeão de bilheteria em seu país de origem. Na Alemanha, Crocodilos vai ganhar a sua segunda seqüência (VorstadtKrokodile III) em 2011. Tanto sucesso é resultado de muita ação, diversão e de um lema: justiça, valentia e amizade.
Um crocodilo é o símbolo de uma turma de meninos e uma menina, por volta dos 10 anos, que agitam uma pacata cidade. Para se tornar um membro legítimo dos Crocodilos, Hannes precisou passar por uma prova extremamente arriscada, colocando sua própria vida em jogo. Apesar de unidos, os Crocodilos têm as suas diferenças e discutem de vez em quando. Por serem numerosos e capazes de enfrentar desafios, o grupo facilmente se depara com intimidação, arruaça e covardia.
Como se tudo isso já não fosse emoção suficiente, a chegada de Kai, um menino cadeirante, vai mostrar que os Crocodilos ainda precisam superar muitas coisas. Kai fortalece a cooperação e os elos de lealdade entre eles. O que, em um confronto com rapazes mais velhos, evidencia as diferenças entre uma turma de amigos e uma gangue.
A aventura se desenrola com seqüências de ação bem executadas e bastante divertidas. É incrível o número de situações que o criativo roteiro explora para a cadeira de rodas. Cada personagem se destaca por alguma característica especial, mas o garoto Elvis, que, carrega o nome de um mito da cultura pop e não desgruda de seu fone de ouvido, conquista os pais e avós que assistirem ao filme ao citar o nome de Sid Barret, da lendária banda britânica Pink Floyd. Entretanto, a trilha sonora não é o melhor do filme, apesar de seguir tendências atuais da música dirigida ao público adolescente. Mas isso não compromete o prazer de assistir a produção de Christian Ditter. Os Crocodilos são excepcionais!
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Crítica de Cadê Meu Irmão?
Vencedor do Júri Popular infanto-juvenil de 2004, o filme alemão Cadê Meu Irmão? volta na retrospectiva comemorativa de 10 anos da Mostra Geração. Será exibido na sexta-feira, 02 de outubro às 9h e na quarta-feira, 07 de outubro, às 14h45.
mostrageracao@festivaldorio.com.br
Filme Família
Por Bia A. Porto
Resenha crítica do longa Cadê Meu Irmão?
(Mein Bruder ist ein Hund)
Alemanha, 2004, 96min.
Direção: Peter Timm
Um belo dia, a bruxa transformou o príncipe em um cachorro que ficou assim até que uma princesa desfizesse o feitiço com um beijo... Você acredita em histórias como esta??? Marietta, 9 anos, também não. Mesmo assim ela sabe: “existem coisas entre o céu e a terra que não têm explicação”.
Com este mote, o vencedor da Mostra Geração 2004, Cadê Meu Irmão?, apresenta uma história incrível, bem estruturada em um roteiro cheio de aventura e de um senso de humor convincente. O sonho de Marietta era ter um cachorro de estimação, mas seus pais não queriam e seu irmão mais novo, Tobias, tinha alergia. Em seu aniversário, ela ganha de presente de Said, um amigo africano, uma pedra mágica que realiza o maior desejo de seu dono. Assim que os pais viajam, a menina faz o pedido e encontra um cachorrinho na porta de seu quarto, mas seu irmão sumira.
Talvez este longa tenha sido eleito pelo júri popular infanto-juvenil não só pelas divertidas cenas de ação com perseguições de tirar o fôlego, mas porque expressa um dos principais anseios da criança contemporânea: ser vista e retratada como um ser ativo, com pensamento próprio. Diferente de uma concepção que se tinha da infância, até bem pouco tempo, em que se conferia a ela um papel muito mais passivo de simples receptor do legado das gerações anteriores. Mas as crianças não querem saber só de assunto de criança, isso é bobo, elas querem provar que são capazes de elaborar interferências originais no mundo e até ajudar os adultos.
Marietta pode ser definida como a protagonista do filme não só porque é sua personagem principal, mas principalmente porque protagoniza a geração dos conflitos e a solução dos problemas. Ela cria as situações e resolve tudo praticamente sozinha, à sua maneira. Durante a viagem dos pais, as crianças supostamente deveriam ficar com a avó paterna, mas Marietta diz à tutora que o irmão também viajou. Assim, ela consegue curtir seu cãozinho mesmo sob a guarda da rabugenta avó.
As coisas vão bem demais para ser verdade. Vó Gerda passa os dias na frente da TV, admirando os atores; Marietta tem seu cãozinho e até Tobias consegue realizar seu maior sonho. Mas o resultado das transgressões de Marietta é como passar mal de tanto comer caramelo. E o legal do filme é que ele mostra que, por mais bagunçada que aquela família pareça, os valores importantes estão sendo transmitidos de modo que as crianças possam tomar as decisões certas de forma autônoma.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Crítica de O Lar das Borboletas Escuras
Ovelhas Negras
Por Bia A. Porto
Resenha crítica do longa O Lar das Borboletas Escuras
(Tummien perhosten koti)
Finlândia, 2008, 105min.
Direção: Dome Karukoski
O Lar das Borboletas Escuras é um filme que não nos dá solução, mas nele não há caso perdido. O lar do título da obra é um reformatório que fica em uma ilha e abriga toda a sorte de “meninos problema” com as mesmas diferentes histórias de sempre, abusos, agressões, dificuldades de socialização.
Juhani, adolescente de 13 anos, é um desses meninos. Em sete anos, passou por quatro famílias adotivas e carrega o estigma de um crime na infância. Por seu comportamento fechado e caladão, hostil às primeiras tentativas de interação dos companheiros, foi apelidado de Porco-espinho. Apesar do atrito que gerou o apelido, em pouco tempo ele fica amigo dos outros rapazes e começa a se sentir em casa pela primeira vez. O diretor do lugar, Olavi, é extremamente rigoroso, porém, também é amoroso, tendo muita fé em seu trabalho. Ele deixa as regras claras - “essa ilha pode ser o paraíso ou um inferno” – cabe a Juhani decidir.
Gerenciando com métodos rígidos e ultrapassados, o lar perde o financiamento do governo e os meninos ficam sem ter para onde ir. Na tentativa de manter o projeto, Olavi inicia uma criação de bicho-da-seda e conta com a ajuda dos garotos. O cultivo é delicado. O bicho-da-seda se desenvolve como as borboletas, mas, se alguma coisa dá errado no seu casulo, ele vira uma borboleta escura. Uma mariposa, muito desprezada pela nossa sociedade. Assim como jovens delinqüentes, estes serem precisam ser bem cuidados.
Olavi não sabe cuidar de crianças nem de bicho-da-seda. Mesmo que ele diga ter reabilitado mais de cem garotos na ilha, essa turma que acompanhamos com a chegada de Juhani se envolve em uma série de tragédias. Baseado em romance homônimo de Leena Lander, o roteiro joga o espectador no meio de situações tão difíceis que nem o próprio consegue resolver. O Lar das Borboletas Escuras é um filme que incomoda.
No livro “A Hipótese-Cinema: pequeno tratado de transmissão do cinema dentro e fora da escola”, o francês Alain Bergala comenta o potencial que a arte tem de nos fazer vivenciar experiências perturbadoras sem termos que encará-las de fato. Para o autor “os mais belos filmes para mostrar às crianças não são aqueles em que o cineasta tenta protegê-las do mundo, mas freqüentemente aqueles em que uma outra criança tem o papel de mediador ou de intermediário nessa exposição ao mundo, ao mal que dele faz parte, ao incompreensível”. Este é o impacto do longa finlandês, que se propõe entrar num universo sem respostas, mas a sua própria realização já consiste em uma tentativa de tratar os temas. Cada espectador vai elaborar um sentido que organiza as idéias do filme.
Eu, por exemplo, entendi que por mais desafiadora que seja a educação de um jovem, nunca devemos desistir. Como Olavi diz: “existem tantas realidades quanto existem pessoas neste mundo”. Por mais que o fracasso seja uma possibilidade, uma nova geração é sempre uma novidade e, portanto, uma esperança.




