A Mostra Geração é o segmento infanto-juvenil do Festival do Rio, o maior evento audiovisual da América Latina.

Esse ano estamos celebrando 15 anos.

São vários Programas:

O Internacional, inclui longas vindos de várias partes do planeta/do mundo com temáticas focadas nas crianças e nos jovens.

O Vídeo Fórum apresenta e debate os trabalhos produzidos por eles mesmos. É o momento de ver na tela grande a sua própria produção.

Além disso, a Mostra Geração oferece encontros especiais para educadores e diversas atividades.

Fique de olho: o Festival do Rio 2014 acontecerá entre 24 de setembro e 08 de outubro.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Crítica de O Lar das Borboletas Escuras

Ovelhas Negras
Por Bia A. Porto

Resenha crítica do longa O Lar das Borboletas Escuras
(Tummien perhosten koti)
Finlândia, 2008, 105min.
Direção: Dome Karukoski

O Lar das Borboletas Escuras é um filme que não nos dá solução, mas nele não há caso perdido. O lar do título da obra é um reformatório que fica em uma ilha e abriga toda a sorte de “meninos problema” com as mesmas diferentes histórias de sempre, abusos, agressões, dificuldades de socialização.

Juhani, adolescente de 13 anos, é um desses meninos. Em sete anos, passou por quatro famílias adotivas e carrega o estigma de um crime na infância. Por seu comportamento fechado e caladão, hostil às primeiras tentativas de interação dos companheiros, foi apelidado de Porco-espinho. Apesar do atrito que gerou o apelido, em pouco tempo ele fica amigo dos outros rapazes e começa a se sentir em casa pela primeira vez. O diretor do lugar, Olavi, é extremamente rigoroso, porém, também é amoroso, tendo muita fé em seu trabalho. Ele deixa as regras claras - “essa ilha pode ser o paraíso ou um inferno” – cabe a Juhani decidir.

Gerenciando com métodos rígidos e ultrapassados, o lar perde o financiamento do governo e os meninos ficam sem ter para onde ir. Na tentativa de manter o projeto, Olavi inicia uma criação de bicho-da-seda e conta com a ajuda dos garotos. O cultivo é delicado. O bicho-da-seda se desenvolve como as borboletas, mas, se alguma coisa dá errado no seu casulo, ele vira uma borboleta escura. Uma mariposa, muito desprezada pela nossa sociedade. Assim como jovens delinqüentes, estes serem precisam ser bem cuidados.

Olavi não sabe cuidar de crianças nem de bicho-da-seda. Mesmo que ele diga ter reabilitado mais de cem garotos na ilha, essa turma que acompanhamos com a chegada de Juhani se envolve em uma série de tragédias. Baseado em romance homônimo de Leena Lander, o roteiro joga o espectador no meio de situações tão difíceis que nem o próprio consegue resolver. O Lar das Borboletas Escuras é um filme que incomoda.

No livro “A Hipótese-Cinema: pequeno tratado de transmissão do cinema dentro e fora da escola”, o francês Alain Bergala comenta o potencial que a arte tem de nos fazer vivenciar experiências perturbadoras sem termos que encará-las de fato. Para o autor “os mais belos filmes para mostrar às crianças não são aqueles em que o cineasta tenta protegê-las do mundo, mas freqüentemente aqueles em que uma outra criança tem o papel de mediador ou de intermediário nessa exposição ao mundo, ao mal que dele faz parte, ao incompreensível”. Este é o impacto do longa finlandês, que se propõe entrar num universo sem respostas, mas a sua própria realização já consiste em uma tentativa de tratar os temas. Cada espectador vai elaborar um sentido que organiza as idéias do filme.

Eu, por exemplo, entendi que por mais desafiadora que seja a educação de um jovem, nunca devemos desistir. Como Olavi diz: “existem tantas realidades quanto existem pessoas neste mundo”. Por mais que o fracasso seja uma possibilidade, uma nova geração é sempre uma novidade e, portanto, uma esperança.



Um comentário:

Gustavo disse...

Caros,
Esse belíssimo filme representou a Finlândia na disputa pela vaga no Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, merecidíssimamente. Vale a pena conferir.