A Mostra Geração é o segmento infanto-juvenil do Festival do Rio, o maior evento audiovisual da América Latina.

Esse ano estamos celebrando 15 anos.

São vários Programas:

O Internacional, inclui longas vindos de várias partes do planeta/do mundo com temáticas focadas nas crianças e nos jovens.

O Vídeo Fórum apresenta e debate os trabalhos produzidos por eles mesmos. É o momento de ver na tela grande a sua própria produção.

Além disso, a Mostra Geração oferece encontros especiais para educadores e diversas atividades.

Fique de olho: o Festival do Rio 2014 acontecerá entre 24 de setembro e 08 de outubro.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Hoje na Mostra Geração tem Somos Todos Diferentes!

No ano passado, o longa-metragem indiano SOMOS TODOS DIFERENTES foi o que mais agradou o público da Mostra Geração. Na edição comemorativa dos 10 anos da Mostra Geração, o filme está de volta e promete ser uma das sessões mais concorridas. A primeira exibição é hoje, às 9h, na sala 1 do Espaço de Cinema, em Botafogo. Depois ele volta a ser exibido no mesmo horário e sala, no dia 8 de outubro. Imperdível!

Toda Criança é Especial
Por Bia A. Porto

Resenha crítica do longa Somos Todos Diferentes
Taare Zameen Par
Índia, 2007, 165min.
Direção: Aamir Khan

Se você quiser diversão garantida, assista Somos Todos Diferentes. Se preferir fazer um programa mais reflexivo, veja Somos Todos Diferentes. Se quiser se emocionar, rir ou chorar, ser criança, amadurecer...Somos Todos Diferentes. Comédia, melodrama, música. Reunindo os principais ingredientes de Bollywood (a Hollywood indiana), este longa metragem só não consegue nos fazer esquecer nossos problemas. Que bom!

Apesar da questão do filme ser bastante específica, todo mundo se identifica com ele. Toda criança tem suas dificuldades para aceitar as regras e instituições sociais. Todo adulto sofre um pouco com toda a responsabilidade e obrigações da vida contemporânea. Todo mundo já questionou a sociedade. Ishaan, 9 anos, é o pior aluno da classe. Os professores o reprovam, estão sempre expulsando o menino de sala porque ele não presta atenção nas aulas ou, simplesmente, porque ele não limpa seus sapatos. Frequentemente comparado ao irmão mais velho, um dos melhores estudantes da escola, ninguém entende o que há de errado com Ishaan. Rebelde, desajustado, preguiçoso?

Um professor - e que professor(!!!), o galã e diretor do filme Aamir Khan - pode fazer a diferença. Quantos “casos perdidos” contribuíram imensamente para a humanidade? Muitos. Einstein e Leonardo da Vinci, são dois bons exemplos. Diante de histórias assim, o filme critica a escola que exclui, estimulando uma competição frustrante como meta para a vida. E reivindica: somos todos diferentes e toda criança é especial (traduzindo o título em inglês). Por que só o saber que vem dos livros é considerado legítimo? Por que precisamos ficar o tempo todo medindo os rendimentos, a produtividade de seres humanos com critérios de mercado, para avaliar custo e benefício de máquinas? Todos sofrem com isso.

No melhor número musical, sequência que retrata a típica manhã de uma casa com crianças, o tema alterna de um ritmo agitado, expressando o estresse dos pais, ao andamento (sono)lento de uma melodia para o sonho tranquilo de Ishaan. Os adultos correm contra o tempo, já o menino... levanta da cama, mas não acorda. Como em outros momentos do filme, algumas animações se misturam com as imagens dos atores, revelando as idéias de Ishaan, ou, como se diz, mostrando o que se passa na sua “cabeça de vento”. Essa fluidez entre a realidade e a imaginação do menino é um recurso estilístico chamado discurso indireto livre. Diferente das animações em 3D, que estão muito na moda e que jogam objetos para fora da telona, os desenhos aqui funcionam no movimento contrário, atraindo o espectador para dentro do filme, para dividir os pensamentos com o protagonista.

O grande vencedor do júri popular infanto-juvenil da Mostra Geração 2008 conquista porque faz a gente se ver na tela.


3 comentários:

Raphael Dias Nunes disse...

À primeira vista, outra coisa que me chamou muito atenção neste longa, é a direção de arte dele. Apesar de eu ainda não te-lo visto inteiro, deu pra ver que as cores são muito vivas, a luz, os objetos... me parece ser um filme bonito de se ver.

Adorei as animações do "discurso indireto livre"! =)

Parabéns pela resenha, Bia! Ficou 10! Deu vontade de ver o filme!

ARTE E EDUCAÇÃO disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
ARTE E EDUCAÇÃO disse...

esse filme é perfeito lindo de se ver pelas cores, formas, luz, enfim, sem falar no enredo que emociona a qualquer pessoa, me emocionei muito pois tbm sofri um pouco de dislexia e disturbios da aprendizagem quando criança, e hoje sou estudante de pedagogia por isso mesmo!

Isabel Aquino-João Pessoa-PB